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O futuro dos planos de saúde: tecnologia e custos maiores

Em resumo

  • Inteligência artificial e novas tecnologias devem transformar como pacientes são atendidos e acompanhados nos planos de saúde.
  • A construção de uma base de dados de saúde pelo Ministério da Saúde visa proteger pacientes, impedindo negação de planos por condições pré-existentes.
  • Brasil realiza mais exames que outros países, sendo muitos sem indicação médica real, o que afeta custos e sustentabilidade dos planos.
  • Prevenção continua sendo um desafio para operadoras, e custos devem crescer, mas dados ajudarão famílias a se planejar financeiramente.

Milhões de famílias brasileiras dependem de planos de saúde para ter acesso a cuidados médicos e manutenção da saúde. Mas como esse serviço funcionará nos próximos 20 anos? A pergunta moveu o debate do painel “Planos de saúde: o que vem pela frente?”, realizado durante o 1º Fórum Saúde da Família. A discussão reuniu Marcos Paulo Novais, diretor-executivo da Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge). Os temas abordados foram custos, reajustes, cobertura, incorporação de novas tecnologias e mudanças na forma como as pessoas utilizam os serviços de saúde. Todos esses fatores são apontados como os principais drivers que podem transformar a saúde suplementar nos próximos anos.

Tecnologia transformando a assistência

Inteligência artificial, novos medicamentos, exames inovadores e tratamentos até agora impossíveis devem modificar a forma como pacientes são atendidos e acompanhados. Ao mesmo tempo em que esses avanços ampliam as possibilidades de cuidado, sua incorporação entra em conflito com os custos finais do sistema. Para Novais, esse dilema é central no debate sobre como os planos vão funcionar daqui para frente.

A questão não é se a tecnologia vai chegar aos planos de saúde, mas como as operadoras vão gerenciar o custo dela sem deixar pacientes descobertos. Novais reconhece que a familiaridade do brasileiro com seguros, como o de carro, não é a mesma que com planos de saúde. “Nós naturalmente vamos ter mais receio porque são muitos fatores que mudam e impactam no serviço”, afirma.

Inteligência artificial e medicamentos de ponta

A entrada de IA nos consultórios e hospitais é questão de tempo. Softwares de diagnóstico assistido, análise de imagens médicas e previsão de riscos de saúde já estão sendo testados. Novos medicamentos biológicos e terapias gênicas, que antes eram ficção científica, agora estão chegando ao mercado com preços altos. Tudo isso precisa ser incorporado gradualmente pelos planos, sem quebrar a sustentabilidade dos mesmos.

Automação de autorização de procedimentos

No futuro, Marcos enxerga planos de saúde muito mais tecnológicos. A expectativa é que a tecnologia agilize os processos de autorização de procedimentos hospitalares. Hoje, as operadoras avaliam cada pedido de cirurgia, tratamento especial ou exame caro, o que leva dias. Com IA, essa análise pode ser quase instantânea, reduzindo a burocracia e o tempo de espera do paciente.

Construindo uma base de dados nacional de saúde

O Ministério da Saúde está trabalhando na criação de uma base de dados consolidada com informações de saúde de todos os brasileiros que utilizam o sistema. O objetivo é permitir uma visão completa do histórico de cada cidadão, evitando duplicação de testes e melhorando o planejamento de políticas públicas de saúde. Segundo Novais, apesar de ser um assunto complicado, “já que os dados financeiros conseguiram evoluir, os dados de saúde também vão conseguir”.

Privacidade e proteção do paciente

Uma das preocupações mais comuns entre contratantes de planos é saber se podem ser negados pela operadora depois de fornecer informações detalhadas de saúde. A resposta é clara: não podem. Segundo Novais, a operadora não pode negar o seu plano por uma condição sua. Os dados são necessários para o planejamento anual dos planos, mas não justificam sua recusa. Essa proteção é fundamental para que as famílias confiem no sistema.

Dados como ferramenta de planejamento

As informações de saúde coletadas ajudam as operadoras a projetar melhor quais serviços precisarão estar disponíveis, qual será a demanda real por cada tipo de procedimento e como distribuir recursos de forma mais eficiente. Para as famílias, ter dados consolidados de saúde permite que operadoras ofereçam planos mais personalizados, com coberturas ajustadas ao perfil de risco de cada grupo. Isso pode levar a planos mais baratos para quem tem menor risco e cobertura mais robusta para quem precisa.

Cobertura e variações entre planos

Já é considerada uma grande evolução o fato de os planos de saúde em funcionamento cobrirem todas as doenças classificadas nos protocolos. Entretanto, existem procedimentos específicos que variam de plano para plano, e essa é uma das maiores dificuldades nos dias atuais quando se fala sobre plano de saúde. Nem todo tratamento disponível no mercado está garantido em qualquer contratação.

Um paciente que contrata um plano básico pode não ter cobertura para certos medicamentos biológicos caros. Já quem opta por um plano premium terá acesso a esses mesmos medicamentos. Essa variação cria confusão e afeta o planejamento das famílias, que muitas vezes não sabem qual é a real diferença entre os produtos oferecidos no mercado. Para o futuro, é esperado que a transparência sobre cobertura melhore.

O problema dos exames desnecessários

O Brasil ocupa um lugar pouco invejável quando o assunto é volume de exames: realiza mais testes diagnósticos que qualquer outro país do mundo. Pesquisas indicam que entre 30% e 50% desses exames não têm indicação médica real, representando desperdício e custo desnecessário. Esse volume inflado impacta diretamente na sustentabilidade dos modelos dos planos de saúde, aumentando os prêmios que as famílias precisam pagar.

Segundo Novais, o que precisa ser feito é evitar o desperdício. Para isso, o modelo de funcionamento dos planos precisa ser reestruturado de forma a se adequar às realidades do Brasil, reduzindo procedimentos duplicados ou não indicados e priorizando o que realmente traz benefício ao paciente. Campanhas de conscientização médica e educação do público também são essenciais.

Prevenção como desafio para as operadoras

Médicos reforçam constantemente a importância de prevenir doenças em vez de apenas tratá-las. Entretanto, as operadoras de planos de saúde ainda não conseguem investir o suficiente nesse quesito. O planejamento dos planos é feito anualmente e muda constantemente, o que dificulta a alocação de recursos para programas de prevenção de longo prazo. Um programa que previne doenças em 10 anos precisa de comprometimento por uma década inteira, algo difícil com replanejamentos anuais.

Novais reconhece que “nós temos que trabalhar mais com esse quesito de prevenção”. A mudança de cultura é essencial. Para que a prevenção deixe de ser uma exceção e se torne a regra, operadoras precisam de maior previsibilidade em seus planejamentos. As famílias, por sua vez, precisam estar engajadas em cuidados com a saúde desde a infância, evitando problemas crônicos na idade adulta.

Custos crescentes e planejamento familiar

Marcos deixa claro que os planos de saúde vão ficar cada vez mais caros nos próximos 20 anos. Essa tendência é resultado da incorporação de tecnologias, do envelhecimento da população e do aumento natural de custos em saúde. É uma realidade que as famílias precisam contemplar em seu planejamento financeiro a longo prazo. A boa notícia é que com dados estruturados de saúde, as operadoras conseguirão projetar melhor esses aumentos, permitindo que as famílias se planejem com mais antecedência.

Entender como os planos vão evoluir é o primeiro passo para fazer escolhas inteligentes sobre cobertura de saúde. Acompanhar as discussões entre operadoras, órgãos reguladores e o Ministério da Saúde ajuda as famílias a se prepararem para esse novo cenário. Com informação e planejamento, é possível se proteger contra futuras surpresas e garantir que todos em casa tenham acesso à saúde quando precisarem.

Perguntas frequentes

Operadoras de planos de saúde podem negar cobertura por condição pré-existente?

Não. De acordo com Marcos Paulo Novais, diretor-executivo da Abramge, a operadora não pode negar o seu plano por uma condição do paciente. Os dados de saúde são necessários para o planejamento anual dos planos, mas não justificam sua negação.

Como a tecnologia deve transformar os planos de saúde nos próximos anos?

Inteligência artificial, novos medicamentos e tratamentos inovadores vão modificar como pacientes são atendidos. A expectativa é que a tecnologia agilize os processos de autorização de procedimentos hospitalares, tornando os planos mais ágeis e reduzindo o tempo de espera.

Por que os custos dos planos de saúde vão crescer nos próximos 20 anos?

O Brasil realiza mais exames que qualquer outro país, sendo muitos desnecessários. Além disso, novas tecnologias, medicamentos de ponta e terapias gênicas têm custos altos, e a prevenção ainda é um desafio para operadoras, resultando em maior gasto com tratamentos.

Written by
Camila Ferrari

Camila Ferrari cobre sono do bebê e rotina familiar, com foco em métodos gentis para ajudar recém-nascidos e bebês maiores a dormirem melhor — e os pais também.