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Planos de saúde terão de cobrir DIU hormonal para endometriose

Em resumo

  • A partir de 1º de outubro, planos de saúde cobrem DIU hormonal para mulheres com endometriose que preenchem critérios específicos da ANS.
  • O DIU libera levonorgestrel e ajuda a controlar sintomas da endometriose, principalmente dor.
  • A cobertura inclui dispositivo e implantação, mas requer que o paciente atenda critérios estabelecidos pela ANS.
  • O SUS já incorporou a medida em 2025; agora chega aos planos privados de saúde.

Cobertura obrigatória a partir de outubro

A partir de 1º de outubro, mulheres com endometriose que cumprem critérios específicos passam a ter direito à cobertura obrigatória do DIU hormonal pelos planos de saúde. A mudança foi estabelecida pela Resolução Normativa nº 680, publicada em 18 de setembro de 2026 pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A inovação não significa que toda paciente com a doença terá automaticamente acesso ao dispositivo; é preciso atender aos requisitos definidos pela agência.

Já era possível encontrar o DIU hormonal no Rol de Procedimentos da ANS, que é a lista de tratamentos que planos de saúde devem cobrir. O que muda agora é a criação de uma Diretriz de Utilização específica para a endometriose, que deixa claro quando exatamente a cobertura é obrigatória. Antes, faltava essa orientação explícita: o procedimento existia no Rol, mas sem diretrizes de uso que explicassem para quais pacientes era indicado.

O que é endometriose

Definição e distribuição no corpo

A endometriose é uma doença que ocorre quando tecido semelhante ao endométrio (a camada que reveste a parte interna do útero) cresce em outras regiões do corpo. Esse tecido fora do lugar pode inflamar-se, sangrar e causar cicatrizes, afetando órgãos como trompas, ovários e intestino. A condição é crônica e pode impactar significativamente a qualidade de vida das mulheres afetadas.

Sintomas e impacto reprodutivo

Os sintomas variam entre pacientes e podem incluir dor intensa durante a menstruação, relações sexuais dolorosas e desconforto abdominal crônico. Algumas mulheres enfrentam também dificuldade para engravidar, pois a endometriose afeta a capacidade reprodutiva. O tratamento precisa levar em conta a intensidade dos sintomas, o grau de avanço da doença e se a paciente deseja ter filhos no futuro.

Como funciona o DIU hormonal

Mecanismo de ação do dispositivo

O DIU hormonal (também chamado de SIU) é um dispositivo em forma de T que é inserido no útero e libera levonorgestrel, um hormônio pertencente à classe dos progestagênios. Esse hormônio atua localmente, ajudando a reduzir a inflamação e a espessura do endométrio, o que diminui o sangramento e a dor associados à endometriose. O efeito é mais direto no local afetado em comparação com medicamentos que agem em todo o corpo.

Vantagens sobre contraceptivos orais

Diferentemente dos contraceptivos orais, que precisam ser tomados todos os dias e atuam em todo o organismo, o DIU hormonal oferece uma alternativa para mulheres que não conseguem manter adesão à medicação diária ou que não podem usar hormônios orais por outras razões médicas. Uma vez implantado, o dispositivo permanece funcional por anos, eliminando a necessidade de lembrar de tomar comprimidos. Essa característica torna o DIU hormonal particularmente útil para mulheres com dificuldade de adesão a contraceptivos orais combinados.

Quem tem direito à cobertura

Os três critérios estabelecidos

A ANS definiu três situações em que a cobertura é obrigatória:

  • Quando há indicação de uso prevista na bula do medicamento registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ou seja, quando o fabricante, após testes e aprovação regulatória, recomenda o DIU hormonal para endometriose.
  • Quando a paciente tem contraindicação médica aos contraceptivos orais combinados, o que significa que esses medicamentos podem causar complicações ou são contraindicados para aquela mulher especificamente.
  • Quando a paciente diagnosticada com endometriose não consegue manter adesão aos contraceptivos orais combinados, apesar de não existir contraindicação médica formal.

O papel da prescrição médica

Não é suficiente uma mulher simplesmente dizer que quer o dispositivo; ela precisa ter uma prescrição médica que fundamente claramente sua indicação em um dos três critérios acima. O médico assistente responsável deve avaliar cuidadosamente o histórico da paciente, confirmar o diagnóstico de endometriose, e documentar qual dos critérios se aplica ao seu caso específico. Apenas com essa documentação em mãos a paciente pode solicitar a cobertura ao seu plano de saúde.

O que está incluído na cobertura

A cobertura obrigatória inclui dois componentes: o dispositivo propriamente dito, que é o DIU ou SIU hormonal, e o procedimento de implantação, que abrange anestesia e acompanhamento pós-operatório imediato. Isso significa que o plano de saúde precisa arcar tanto com o custo do equipamento quanto com todos os custos associados à internação, anestesia e outros procedimentos necessários para a colocação do dispositivo. O paciente não pode ter negada a cobertura total sob a alegação de que apenas uma das partes está coberta.

Integração com o Sistema Único de Saúde

A novidade da obrigatoriedade nos planos privados de saúde acompanha uma decisão semelhante já tomada anteriormente na esfera pública. O Sistema Único de Saúde (SUS) já havia incorporado a cobertura de DIU hormonal para mulheres com endometriose em 2025, ampliando significativamente o acesso à população que não tem plano de saúde privado. Com a entrada em vigor da Resolução nº 680 para mulheres que têm cobertura privada, a medida reforça o direito universal a um tratamento eficaz para uma doença que afeta milhões de brasileiras.

Perguntas frequentes

Qual é a data de entrada em vigor da nova regra?

A cobertura obrigatória entra em vigor em 1º de outubro de 2026, conforme estabelecido pela Resolução Normativa nº 680 da ANS, publicada em 18 de setembro de 2026.

Quais são os critérios para ter direito à cobertura do DIU hormonal?

A cobertura é obrigatória para pacientes com endometriose que tenham indicação de uso prevista em bula registrada na Anvisa, que apresentem contraindicação aos contraceptivos orais combinados, ou que não tenham adesão a esse tipo de medicamento.

O que está incluído na cobertura dos planos de saúde?

A cobertura inclui tanto o dispositivo DIU hormonal quanto o procedimento de implantação, que abrange anestesia e acompanhamento pós-operatório imediato.

Written by
Renata Vidigal

Renata Vidigal cobre saúde do bebê — vacinação, consultas pediátricas de rotina e sinais de alerta que toda mãe deve conhecer, sempre reforçando a importância do acompanhamento médico profissional.