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Tiba Camargos pede autorização à Anvisa para tratamento experimental

Em resumo

  • Tiba Camargos, influenciador missionário católico, ficou tetraplégico ao entrar na água para salvar o filho Matias em fevereiro de 2025.
  • Ele precisa fazer cirurgia para remover dois cistos na medula e pede à Anvisa autorização para usar polilaminina experimental no mesmo procedimento.
  • A polilaminina foi desenvolvida pela professora Tatiana Sampaio da UFRJ e teve fase 1 autorizada em janeiro de 2026, mas Tiba não se enquadra nos critérios atuais do estudo.
  • A família mobiliza seguidores nas redes sociais pedindo flexibilidade regulatória em um caso excepcional onde a cirurgia já é necessária.

Tiba Camargos, influenciador conhecido por criar conteúdo sobre fé e paternidade nas redes sociais, está numa luta contra o tempo e a regulamentação. Mais de um ano após sofrer um acidente que o deixou tetraplégico, ele agora enfrenta uma cirurgia na medula e pede à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorização para receber uma aplicação experimental de polilaminina durante o procedimento. O tratamento ainda está em fase inicial de pesquisa, mas a família acredita que aproveitar o momento da operação seria uma oportunidade singular para tentar novos caminhos de recuperação.

O acidente de fevereiro de 2025 que mudou tudo

Em 9 de fevereiro de 2025, no Rio Grande do Sul, Tiba Camargos viveu o momento que transformaria sua vida para sempre. O influenciador entrou na água para socorrer o filho Matias, que havia se assustado ao perceber que não conseguia nadar por causa do peso do tênis molhado em uma região profunda. Durante o mergulho, Tiba bateu a cabeça em uma pedra e sofreu uma lesão cervical que o deixou tetraplégico.

O ato de heroísmo – pular na água sem hesitar para salvar o filho – custou caro. A lesão cervical afetou os nervos responsáveis pelo movimento dos quatro membros, deixando Tiba com capacidade motora severamente limitada. O acidente foi tão grave que exigiu hospitalização prolongada e um processo de adaptação que continua até hoje.

A escolha de entrar naquela água, sem pensar duas vezes, reflete os valores que Tiba compartilha publicamente há anos. “Eu pulei naquele rio sem pensar duas vezes para salvar meu filho, e só peço que o Brasil não pense duas vezes na hora de salvar os seus”, declarou ele em seu apelo mais recente à Anvisa.

Vivendo com as consequências

A reorganização da rotina familiar

Após a lesão cervical, Tiba perdeu a mobilidade dos membros e depende de cuidados contínuos que transformaram completamente a dinâmica de sua casa. A rotina familiar precisou ser reorganizada para acomodar a nova realidade. O casal tem seis filhos vivos, e todos precisaram aprender a conviver com as limitações impostas pela tetraplegia do pai.

Nas redes sociais, antes do acidente, Tiba compartilhava regularmente conteúdos sobre fé, educação dos filhos e vida familiar ao lado da esposa Déa Camargos. Agora, a pauta mudou. Em vez de dicas de paternidade, o casal usa as plataformas para mobilizar apoio em torno de questões de saúde e para compartilhar a jornada de recuperação e adaptação.

A voz como ferramenta de luta

“Eu não consigo levantar o meu corpo. Mas ainda consigo levantar a minha voz”, escreveu Tiba nas redes sociais, explicando sua decisão de fazer um apelo público à Anvisa. A frase resume a estratégia do casal: se o corpo perdeu parte de sua funcionalidade, a voz – amplificada pelos seguidores e pela presença nas redes – torna-se a ferramenta mais poderosa.

Nas redes, Tiba costuma se apresentar como pai de onze filhos: “6 comigo, 5 com o Papai do Céu”, em referência às cinco perdas gestacionais vividas pela família. Essa forma de apresentação reflete não apenas o tamanho da família que Tiba e Déa formaram, mas também a espiritualidade que marca a vida do casal.

Quem é Tiba Camargos

Tiba é missionário católico e, ao lado de Déa, compartilha nas redes conteúdos relacionados à fé, à família e à educação dos filhos. A dupla construiu uma presença digital significativa focada em valores familiares e religiosos. A religiosidade e a vida espiritual sempre foram centrais na identidade pública do casal, e essa dimensão continua guiando suas ações mesmo após o acidente.

A polilaminina – uma esperança experimental

Entendendo o tratamento experimental

A polilaminina é uma substância experimental desenvolvida a partir de pesquisas lideradas pela professora Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A pesquisa brasileira tem se destacado internacionalmente pela promessa do tratamento em casos de lesão medular. Em janeiro de 2026, a Anvisa autorizou a fase 1 do estudo clínico com essa substância, abrindo caminho para que pacientes elegíveis pudessem ser incluídos em protocolos de pesquisa.

Por se tratar de uma terapia ainda em fase inicial, os efeitos em humanos ainda estão sendo mapeados. Não é possível afirmar, neste momento, que a aplicação traria recuperação completa dos movimentos ou outros benefícios específicos a Tiba. No entanto, para uma família que enfrenta uma tetraplegia permanente, qualquer possibilidade de melhora justifica o esforço de mobilização.

O plano de Tiba e Déa

Tiba descobriu dois cistos na região da lesão medular que precisam ser retirados. Será necessária uma cirurgia para remover essas formações. Como o local será novamente operado durante o procedimento cirúrgico, Tiba, Déa e sua equipe médica enxergam uma oportunidade singular: aproveitar o momento em que a medula estará aberta para aplicar a polilaminina.

“A medula vai estar aberta. A polilaminina poderia ser aplicada no mesmo ato cirúrgico, com responsabilidade médica e acompanhamento. Só que a autorização precisa existir antes de ele entrar no centro cirúrgico”, explicou Déa em vídeo publicado nas redes sociais. A lógica é clara: por que perder a oportunidade de uma aplicação que poderia estar associada ao procedimento necessário?

A família espera conseguir autorização da Anvisa para que a substância experimental seja aplicada no mesmo ato cirúrgico de retirada dos cistos. O pedido é específico: não se trata de incluir Tiba no estudo clínico original (o que ele tecnicamente não poderia ser, pelos critérios vigentes), mas sim de autorizar um uso excepcional da substância em seu caso particular.

Por que Tiba não se enquadra nos critérios atuais

A janela autorizada pela Anvisa para o estudo clínico com polilaminina contempla pacientes de 18 a 72 anos com lesões agudas completas da medula torácica, entre T2 e T10, ocorridas há menos de 72 horas. Esses critérios foram estabelecidos com base em protocolos de pesquisa que buscam estudar o efeito da substância em cenários específicos e controlados.

Tiba sofreu seu acidente em fevereiro de 2025, o que significa que a lesão ocorreu há mais de um ano – muito além da janela de 72 horas estabelecida pelo estudo. Sua lesão também é cervical, não torácica (atingindo os nervos do pescoço e não do tórax), o que significa que não se encaixa geograficamente nos critérios T2-T10 definidos pelo protocolo.

A cirurgia que ele fará agora não tem como objetivo incluí-lo no estudo clínico. Trata-se de uma necessidade médica distinta: a retirada dos dois cistos encontrados na região da lesão medular antiga. Por essas razões – tanto o tempo decorrido quanto a localização da lesão – Tiba não se enquadra nos critérios de elegibilidade definidos até o momento pelo estudo com polilaminina.

No entanto, é justamente por não se enquadrar que a família faz o apelo. Se a cirurgia já é necessária por razões médicas independentes, por que não autorizar uma aplicação experimental em um caso que não estava contemplado nos critérios originais?

A fé como sustentação

A religiosidade tem marcado profundamente a trajetória de Tiba e Déa desde o acidente. Durante a recuperação do marido, Déa pediu orações aos seguidores e falou publicamente sobre a importância da fé para enfrentar as mudanças na rotina familiar. A espiritualidade católica não é apenas um tema que o casal compartilha nas redes – é, de fato, o alicerce sobre o qual constroem sua vida diária.

Mesmo com as limitações físicas severas impostas pela tetraplegia, a fé permanece sendo um pilar de sustentação. Tiba continua se identificando como missionário católico, continuando a compartilhar sua perspectiva espiritual com os seguidores. Para o casal, a vida após o acidente não é apenas uma questão de adaptação física, mas também de ressignificação espiritual.

O apelo às autoridades e à sociedade

Nas redes sociais, Tiba e Déa iniciaram uma mobilização para ampliar o alcance de seu pedido. Eles pedem ajuda dos seguidores para amplificar a solicitação e para que a análise do caso chegue às autoridades competentes com força suficiente para ser considerada seriamente.

O casal não está pedindo que as regras sejam quebradas. Estão pedindo que a Anvisa avalie a possibilidade de uso da polilaminina em um caso específico, único, onde uma cirurgia já necessária poderia ser acompanhada de um tratamento experimental sob supervisão médica rigorosa. É um pedido por flexibilidade regulatória em uma circunstância excepcional.

A declaração de Tiba resume o tom do apelo: “Eu pulei naquele rio sem pensar duas vezes para salvar meu filho, e só peço que o Brasil não pense duas vezes na hora de salvar os seus”. O apelo não é apenas pessoal – é um chamado à sociedade brasileira, aos órgãos reguladores e à comunidade científica para que considerem a vida e as possibilidades de recuperação de um homem que sacrificou sua própria mobilidade para salvar a de seu filho.

Perguntas frequentes

Como Tiba Camargos ficou tetraplégico?

Tiba entrou na água para socorrer o filho Matias, que havia se assustado ao não conseguir nadar por causa do peso do tênis molhado em uma região profunda. Durante o mergulho em 9 de fevereiro de 2025, no Rio Grande do Sul, Tiba bateu a cabeça em uma pedra e sofreu uma lesão cervical que o deixou tetraplégico.

Por que Tiba pede autorização da Anvisa para usar polilaminina?

Tiba descobriu dois cistos na região da lesão medular que precisam ser retirados. Durante a cirurgia necessária para remover esses cistos, a medula estará aberta, criando uma oportunidade para aplicar polilaminina no mesmo ato cirúrgico. A família pede autorização especial da Anvisa para que isso aconteça.

Por que Tiba não se enquadra nos critérios do estudo com polilaminina?

O estudo autorizado pela Anvisa contempla pacientes de 18 a 72 anos com lesões agudas completas da medula torácica entre T2 e T10, ocorridas há menos de 72 horas. Tiba sofreu seu acidente em fevereiro de 2025 (mais de um ano atrás) e sua lesão é cervical, não torácica, portanto não se enquadra nesses critérios.

Written by
Renata Vidigal

Renata Vidigal cobre saúde do bebê — vacinação, consultas pediátricas de rotina e sinais de alerta que toda mãe deve conhecer, sempre reforçando a importância do acompanhamento médico profissional.