Em resumo
- Casas de apoio são hospedagens custeadas pelo SUS para acompanhantes de crianças em tratamento longe de casa, amparadas pela Lei 12.584 de 2012.
- O acesso começa na Secretaria de Saúde do seu município, que avalia se o tratamento necessário não existe na região.
- Além da hospedagem, o SUS também custeia o transporte da criança e seu acompanhante até a cidade onde se realiza o tratamento.
- Estrutura das casas inclui alimentação, limpeza, segurança e, em muitos casos, atendimento psicológico para acompanhantes durante tratamentos longos.
Quando uma criança precisa fazer um tratamento hospitalar em cidade distante de casa, toda a família é desafiada. Perder o trabalho por meses, pagar aluguel e alimentação em outro estado enquanto ainda há contas em casa é realidade para muitas famílias brasileiras. Para reduzir este impacto, o Sistema Único de Saúde oferece casas de apoio — hospedagens onde acompanhantes de crianças em tratamento fora de domicílio ficam gratuitamente, com alimentação, segurança e acesso a atividades de apoio emocional.
O que são casas de apoio para tratamento fora de domicílio
Casas de apoio são imóveis custeados e mantidos pelo SUS (ou por organizações sem fins lucrativos conveniadas com o SUS) onde acompanhantes de crianças em tratamento fora de domicílio ficam hospedados durante o período da terapia. A criança continua internada no hospital ou fazendo consultas ambulatoriais; o acompanhante dorme na casa de apoio, geralmente a poucos quilômetros da unidade de saúde.
O objetivo é evitar gastos com hospedagem, alimentação e transporte local que esgotam o orçamento familiar. Uma mãe que passa três meses acompanhando o filho em quimioterapia longe de casa deixa de trabalhar — uma casa de apoio alivia ao menos uma despesa.
Legislação: o direito e como surgiu
O programa de casas de apoio é amparado pela Lei nº 12.584, de 6 de janeiro de 2012, que institui a Política Nacional de Alojamento para Acompanhantes de Pacientes em Tratamento Fora de Domicílio. Pela lei, acompanhantes de pacientes — menores de idade ou adultos incapazes — que precisam fazer tratamento em outra cidade têm direito a hospedagem gratuita.
Crianças diagnosticadas com câncer, cardiopatias congênitas, transplantes, malformações complexas e outros agravos que não têm serviço de referência no município de origem são as principais beneficiárias. O diagnóstico deve vir acompanhado de relatório médico que justifique por que o tratamento não existe localmente.

Como funcionam as casas de apoio
A estrutura física
Uma casa de apoio é uma moradia comum, muitas vezes uma casa alugada ou doada no bairro onde fica a unidade hospitalar de referência. Tem cozinha compartilhada, sala de estar, banheiros, lavanderia e quartos para acomodar os acompanhantes. O SUS fornece enxovais, detergentes, papéis de limpeza. Algumas casas mais estruturadas têm assistente social, psicólogo, biblioteca infantil e área de convivência.
O dia a dia segue uma rotina: acompanhante acorda, leva a criança à consulta ou internação, volta para a casa de apoio para comer, descansar, fazer roupa. À noite, há jantar coletivo ou individual, a critério da casa. Não há restrições severas — acompanhantes trabalham à distância, estudam, cuidam de irmãos menores se houver estrutura para isso.
Alimentação e custos cobertos
O SUS fornece alimentação integral — café da manhã, almoço, lanche, jantar. Casos especiais (alergias, restrições religiosas) são acomodados. Higiene da casa, limpeza de roupa, banho quente, internet: tudo está incluído. O acompanhante também pode estar desacompanhado por períodos curtos — se a criança dorme no hospital, o adulto volta à casa.
Apoio psicológico e social
Casas geridas por organizações sem fins lucrativos como a APAE ou conveniadas ao SUS costumam oferecer atendimento psicológico para acompanhantes, especialmente em tratamentos longos como oncologia. Grupos de conversa entre famílias, atividades lúdicas para crianças durante o intervalo de terapias e orientações sobre direitos completam o serviço. Nem todas as casas têm essa estrutura — depende de recursos locais e da gestão municipal.
O transporte também é custeado
O programa de Tratamento Fora de Domicílio do SUS custeia não apenas a hospedagem, mas o transporte da criança e do acompanhante até a cidade onde ficará a unidade de saúde. O translado é feito por ambulância, micro-ônibus adaptado ou passagem aérea nos casos de maiores distâncias — depende da avaliação da Secretaria de Saúde estadual ou municipal.
Famílias que moram distante da unidade hospitalar de referência têm prioridade. O retorno para casa, quando o tratamento termina ou é encerrado, também é coberto pelo SUS.
Como acessar: o passo a passo
Na Secretaria de Saúde do seu município
O primeiro passo é procurar a Secretaria Municipal de Saúde ou a seção de Tratamento Fora de Domicílio com a solicitação médica que justifique por que o tratamento não existe no município. O médico prescritor da criança deve anexar um relatório indicando o local (hospital ou clínica) onde o tratamento será feito. Documentação necessária: RG, CPF, certidão de nascimento da criança, comprovante de residência, cartão do SUS.
A Secretaria avalia o caso e encaminha ao estado ou à unidade de referência conforme o fluxo estadual. Em alguns estados, o município informa diretamente à casa de apoio; em outros, passa pela Secretaria de Saúde estadual.
Na Secretaria de Saúde estadual
Se a unidade de referência fica em outro estado, o processo passa pela Secretaria Estadual de Saúde do seu estado, que faz contato com a do estado de destino para confirmar a disponibilidade de leito e de vaga na casa de apoio. Esse trâmite dura alguns dias a semanas, dependendo da região.
Avaliação e confirmação
Após aprovação, a Secretaria de Saúde estadual do estado de destino aloca a vaga, informa à criança e à família a data de entrada na casa de apoio e os detalhes do transporte. A criança e o acompanhante já podem viajar.
Desafios: a realidade do acesso
O programa existe e funciona, mas enfrenta falta de estrutura. Não há casas de apoio em todos os municípios-polo, especialmente em regiões pequenas — famílias de cidades menores têm de ficar em hotéis ou pensões enquanto aguardam a transferência. Fila de espera por vaga pode levar semanas em cidades grandes como São Paulo e Rio de Janeiro.
Além disso, nem toda Secretaria de Saúde municipal conhece ou divulga o programa com clareza. Pedir informação sobre “Tratamento Fora de Domicílio” ou “casas de apoio” diretamente à Secretaria de Saúde é o caminho mais seguro. Se não souberem, peça contato com o gerente de TFD.
Perguntas frequentes
Qualquer criança pode ficar em uma casa de apoio?
Não. Tem direito crianças cujo tratamento necessário não existe no município ou região de origem. A Secretaria de Saúde avalia cada caso baseado em relatório médico que justifique a necessidade.
Quanto custa ficar em uma casa de apoio?
É gratuito. O SUS custeia integralmente a hospedagem, alimentação, limpeza e segurança das casas de apoio para acompanhantes, além do transporte da criança.
Quanto tempo leva para conseguir uma vaga em uma casa de apoio?
O processo pode levar de alguns dias a semanas após aprovação na Secretaria de Saúde municipal. Em cidades grandes, há fila de espera. A Secretaria confirma a data e os detalhes do transporte.