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Mulher engravida aos 44 anos com óvulos congelados há 23 anos

Em resumo

  • Kassandra Bacon preservou tecido ovariano aos 18 anos antes de tratar um linfoma de Hodgkin, quando a técnica era ainda experimental.
  • Após recidiva do câncer e menopausa precoce, buscou especialistas internacionalmente até encontrar solução em Israel para o transplante.
  • Em maio de 2024, recebeu transplante do tecido preservado 23 anos antes; meses depois voltou a menstruar.
  • Após três ciclos de fertilização in vitro, engravidou no Natal de 2025 e deu à luz a Landon em setembro de 2026.

Aos 44 anos, Kassandra Bacon se tornou mãe de Landon David Bacon, nascido em 9 de setembro de 2026. A história que a levou até esse momento começou mais de duas décadas antes, quando ela tinha apenas 18 anos e enfrentou um diagnóstico que poderia ter encerrado seus planos de formar uma família. Sua decisão de preservar a possibilidade de maternidade biológica, tomada na adolescência, abriria um caminho que atravessaria continentes e desafiaria os limites da medicina reprodutiva.

O diagnóstico precoce e a preservação ovariana

Pouco antes de completar 19 anos, em 2001, Kassandra descobriu um linfoma de Hodgkin. Diante da necessidade de iniciar um tratamento agressivo, ela insistiu com os médicos para que tentassem preservar também a possibilidade de ter filhos. Sua preocupação era fundamentada: a quimioterapia poderia danificar irreversivelmente os ovários, eliminando chances de uma gravidez natural no futuro.

A descoberta do linfoma

A descoberta do linfoma de Hodgkin aos 18 anos mudou os planos que Kassandra havia traçado para sua vida. Na época, porém, a técnica de preservação de tecido ovariano ainda era considerada experimental, sem garantias de que permitiria uma gravidez posteriormente. Ainda assim, ela optou por coletar e congelar o tecido dos ovários, confiando em uma tecnologia que ainda estava em fase de desenvolvimento.

Uma ação preventiva

A intenção era proteger a possibilidade de maternidade biológica antes que o tratamento prejudicasse seus óvulos e sua função reprodutiva. Aquele material congelado aos 18 anos se tornaria, décadas depois, a chave para um desejo que Kassandra carregava consigo durante toda a sua trajetória de recuperação.

A recidiva e os desafios do tratamento intensivo

Menos de dois anos após o primeiro diagnóstico, o câncer voltou. Kassandra precisou passar por quimioterapia em altas doses e por um transplante de medula óssea, tratamentos que conseguiram controlar a doença, mas causaram efeitos secundários graves. O dano aos seus óvulos foi irreversível, comprometendo completamente sua função ovariana e suas perspectivas de gravidez natural.

Já na faixa dos 30 anos, quando Kassandra planejava formar uma família com o companheiro, ela descobriu que havia entrado em menopausa precocemente. A menopausa aos 30 anos é uma consequência conhecida dos tratamentos oncológicos agressivos, particularmente da quimioterapia em altas doses. A possibilidade de ter um filho biológico parecia ter desaparecido, até que o tecido armazenado décadas antes ressurgiu como uma esperança.

A busca internacional por especialistas

Determinada a explorar cada possibilidade, Kassandra iniciou uma jornada internacional em busca de médicos que pudessem realizar o transplante de tecido ovariano. A procura levou anos, percorrendo especialistas no Reino Unido e na Bélgica. Durante toda essa busca, ela enfrentou obstáculos relacionados à documentação das amostras.

Obstáculos na Europa

O problema centrava-se em questões regulatórias. O tecido havia sido congelado antes da implementação de regras britânicas para o armazenamento de tecidos humanos. Sem documentação adequada e com as exigências legais contemporâneas, os hospitais europeus não podiam prosseguir com o procedimento. As restrições legais criaram barreiras que Kassandra não conseguia transpor, apesar de seus esforços e da clareza de sua determinação.

Esperança em Israel

A alternativa surgiu através de um médico em Israel que tinha experiência com casos semelhantes. Em maio de 2024, depois que o material foi transportado de Cambridge, Kassandra viajou ao país e finalmente recebeu o transplante do tecido ovariano que havia sido preservado havia 23 anos. A cirurgia marcou um ponto de inflexão em sua trajetória, abrindo uma possibilidade que parecia perdida.

O transplante e a recuperação ovariana

O intervalo entre o congelamento e o transplante foi de 23 anos. Kassandra havia preservado o tecido aos 18 anos, havia sobrevivido a dois diagnósticos de câncer, tinha enfrentado menopausa precoce e havia empreendido uma busca internacional por médicos capazes de realizar o procedimento. Aos 44 anos, finalmente, aquele material que havia permanecido armazenado retornou ao seu corpo.

Meses após a cirurgia realizada em Israel, Kassandra voltou a menstruar, um sinal de que a atividade ovariana havia sido recuperada pelo transplante. A menstruação, que tinha desaparecido aos 30 anos, retornou como confirmação de que o tecido congelado havia permanecido viável durante todo esse tempo.

O caminho para a gravidez

Para engravidar, Kassandra precisou recorrer à reprodução assistida. Passou por três ciclos de fertilização in vitro (FIV), procedimento que envolve a coleta de óvulos, a fertilização em laboratório e a transferência de embriões. O teste positivo de gravidez veio após a transferência do segundo embrião, realizada no Natal de 2025, momento que marcou o início de uma gestação que já parecia impossível.

A gravidez transcorreu sem complicações significativas. Landon nasceu no dia 9 de setembro de 2026, encerrando uma trajetória de 25 anos entre o diagnóstico de câncer na adolescência e a realização da maternidade aos 44 anos. Segundo relato apresentado pela publicação Pais e Filhos, mãe e bebê passam bem, em recuperação saudável após o parto.

Fonte: Pais e Filhos

Perguntas frequentes

O tecido ovariano de Kassandra permaneceu viável após 23 anos de congelamento?

Sim. Meses após o transplante realizado em maio de 2024, Kassandra voltou a menstruar, indicando que a atividade ovariana foi recuperada, comprovando que o tecido manteve-se viável ao longo das duas décadas.

Por que Kassandra enfrentou dificuldades com especialistas europeus?

O tecido havia sido congelado antes da implementação de regras britânicas para armazenamento de tecidos humanos. Sem documentação adequada pelas normas contemporâneas, hospitais no Reino Unido e Bélgica não podiam prosseguir com o transplante.

Qual foi o papel da fertilização in vitro (FIV) na gravidez de Kassandra?

Após recuperar a atividade ovariana com o transplante, Kassandra precisou de FIV para engravidar. Passou por três ciclos, e o teste positivo veio após a transferência do segundo embrião, no Natal de 2025.

Written by
Juliana Bresser

Juliana Bresser escreve sobre desenvolvimento infantil, marcos motores e cognitivos, e estímulos apropriados para cada fase. É mãe de dois filhos e pedagoga de formação.