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Menina indígena alerta sobre impacto das queimadas no Amazonas

Em resumo

  • Yandra Mawé, criança indígena de 6 anos, publicou vídeo nas redes sociais alertando sobre dificuldades respiratórias causadas pelas queimadas em sua comunidade.
  • Entre 1º e 22 de setembro de 2026, o Amazonas registrou 3.240 focos de queimadas, aumento de 244% comparado ao mesmo período de 2025.
  • Em Iranduba, as queimadas forçaram suspensão de aulas, enquanto em Manaus a qualidade do ar foi classificada como 'péssima' em setembro.

Aos 6 anos, Yandra Mawé, conhecida nas redes sociais como “Oncinha do Amazonas”, usou sua voz para alertar sobre as consequências diretas das queimadas florestais na região onde vive. Moradora da comunidade indígena Sahuapé, no município de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, a menina compartilhou com seus seguidores os desafios respiratórios vivenciados pela população local em meio à fumaça persistente dos incêndios que avançam sobre o Amazonas.

O relato de uma criança indígena

Por meio de um vídeo postado nas plataformas digitais, Yandra expôs as dificuldades enfrentadas por sua comunidade. A menina descreveu como a qualidade do ar se deteriorou a ponto de impedir atividades básicas do dia a dia, afetando inclusive a frequência das aulas.

As palavras diretas de uma criança

Yandra não usou rodeios em sua denúncia. “A gente não consegue mais respirar direito”, afirmou de forma clara e tocante. Essa frase simples resume o que centenas de moradores de Iranduba enfrentam desde a intensificação dos incêndios florestais. Além das dificuldades respiratórias, ela relatou que a fumaça avançou até as proximidades das casas, provocando incômodo ocular com moradores reclamando de olhos ardendo.

Reflexão sobre a relação com a natureza

Durante seu apelo, Yandra propôs uma reflexão profunda. “A natureza não precisa da gente, mas nós precisamos dela”, disse com a clareza característica de quem cresce em contato direto com a floresta e seus ciclos. A partir dessa reflexão, a menina pediu que as pessoas deixassem de queimar lixo e de descartar resíduos nos rios, ações que contribuem para o agravamento da situação ambiental.

Interrupção nas atividades escolares

As consequências das queimadas afetaram a rotina escolar de Iranduba de forma concreta. Aulas precisaram ser interrompidas como medida de proteção aos estudantes e colaboradores expostos à fumaça densa.

Os números alarmantes de setembro

O mês de setembro de 2026 passou a integrar o histórico como um período de pico de incêndios florestais no Amazonas. Entre 1º e 22 de setembro, o estado contabilizou 3.240 focos de queimadas, um aumento expressivo de 244% quando comparado ao mesmo período do ano anterior.

Um recorde infeliz no ano

Não se trata apenas de um mês com números elevados. Setembro de 2026 transformou-se no período com a maior quantidade de focos de queimadas registrados no estado até aquele momento no mesmo ano. Esse crescimento aponta para uma intensificação dos problemas ambientais que afetam a região, refletindo pressões contínuas sobre ecossistemas já frágeis e vulneráveis.

O contraste com 2025

A comparação histórica torna o cenário ainda mais preocupante. Em setembro de 2025, o Amazonas havia registrado 986 focos de queimadas. O salto de 986 para 3.240 focos em 2026 representa não apenas um aumento numérico, mas uma mudança significativa na trajetória de incêndios florestais da região.

Iranduba enfrentando frentes de fogo

O município onde Yandra mora sentiu na pele os efeitos da crise de incêndios florestais. Na semana em que a menina publicava seu apelo, um incêndio de grandes proporções avançou sobre uma área de vegetação próxima a Cacau Pirêra, uma localidade também afetada por queimadas.

Histórico recente de interrupção escolar

A crise causada pelo fogo não era novidade na região. Em agosto do mesmo ano, as autoridades suspenderam aulas presenciais após um incêndio no lixão municipal. Aquele incêndio no depósito de resíduos causou problemas respiratórios agudos entre moradores, alunos e funcionários das escolas afetadas, justificando a necessidade de fechamento temporário das atividades presenciais.

Qualidade do ar crítica na capital

A capital do Amazonas também sofreu os impactos das queimadas que se espalhavam pela região. As condições atmosféricas alcançaram níveis que exigem atenção especial.

Índices preocupantes em Manaus

A Defesa Civil de Manaus registrou, na quarta-feira, 23 de setembro, uma média de 188,5 microgramas por metro cúbico de partículas finas MP2,5 na capital. Esse índice foi classificado oficialmente como “péssimo” pelas autoridades de saúde e meio ambiente. De acordo com comunicado da prefeitura, a fumaça que envolvia a capital provinha principalmente das queimadas na Região Metropolitana de Manaus e no leste do estado.

A amplificação da voz de uma criança indígena

Yandra não iniciou sua atividade nas redes sociais com o objetivo de fazer denúncias ambientais. Sua trajetória na internet começou com compartilhamento de aspectos da vida cotidiana em sua comunidade.

Conteúdo sobre rotina e tradições

A menina costuma publicar momentos de sua rotina próxima aos rios e à floresta. Além disso, compartilha aprendizados sobre animais nativos, alimentos tradicionais e práticas culturais de sua comunidade indígena. Esse histórico de criação de conteúdo genuíno lhe conferiu uma base crescente de seguidores que agora ouve, com atenção especial, um apelo urgente sobre uma crise ambiental iminente.

A mensagem que vai além do vídeo

Na legenda da postagem sobre as queimadas, o perfil reforçou o chamado à visibilidade: “O nosso Amazonas e a nossa Amazônia precisam ser vistos”. Adicionalmente, a mensagem pediu que as comunidades afetadas pela seca e pelos incêndios não fossem esquecidas pelas autoridades e pela população geral. Yandra encerrou seu vídeo com um recado destinado especificamente a seus seguidores: “Oncinhas, lembrem disso. Sem a natureza, o nosso mundo não vive.”

Fonte: Pais e Filhos

Perguntas frequentes

Por que Yandra Mawé chamou atenção para as queimadas do Amazonas?

A menina relatou dificuldades para respirar em sua comunidade indígena Sahuapé e pediu que as pessoas deixassem de queimar lixo e descartar resíduos nos rios, afirmando que 'a natureza não precisa da gente, mas nós precisamos dela'.

Quais foram os impactos das queimadas em Iranduba?

As queimadas provocaram suspensão de aulas presenciais em escolas. Em agosto, um incêndio no lixão municipal havia causado problemas respiratórios entre moradores e funcionários, levando ao fechamento temporário das escolas.

Como estava a qualidade do ar em Manaus em setembro?

No dia 23 de setembro de 2026, a Defesa Civil registrou 188,5 microgramas por metro cúbico de partículas finas MP2,5, índice classificado como 'péssimo', com a fumaça vindo de queimadas na Região Metropolitana e leste do estado.

Written by
Juliana Bresser

Juliana Bresser escreve sobre desenvolvimento infantil, marcos motores e cognitivos, e estímulos apropriados para cada fase. É mãe de dois filhos e pedagoga de formação.