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Como essa jornalista viajou a trabalho com seu bebê de quatro meses

Em resumo

  • Henrique tinha quatro meses quando ela viajou dez dias ao Mediterrâneo a bordo do MSC Splendida, apoiada por sua mãe, avó, irmã e tia que se revezaram nos cuidados.
  • Estocou 30 saquinhos de leite materno congelado para manter a alimentação mista do bebê durante os dez dias de viagem internacional.
  • Rejeita culpa materna e afirma que sua identidade profissional não mudou ao se tornar mãe, apenas evoluiu.

Quando engravidou, ela tinha certeza do que a licença-maternidade significaria. Trabalhava demais, tocava negócio próprio, criava conteúdo digital, praticamente não via parado. Os próximos seis meses seriam um descanso, pensava. Planejou ficar afastada, apenas gerenciando o essencial: responder e-mails, passar números ao contador, publicar notícias pontuais. Viagens, eventos corporativos, compromissos que demandassem sair de casa? Nada disso entrava no roteiro.

A realidade com Henrique, seu filho, trouxe uma verdade diferente. Quarenta dias após o parto, um almoço de trabalho chegou. Era convite de uma assessora de imprensa, amiga de longa data. Ela foi. Conversava sobre assuntos além de fraldas e sono, lembrava de quem era quando não era mãe. “A gente vira mãe, mas não deixa de ser quem somos”, escutou daquela amiga. A frase doeu e consolou. Ela acreditava que abrir mão da rotina de trabalho a faria bem. Estava enganada.

Não era abandono materno que sentia falta. Durante as primeiras semanas, com Rodrigo em seus 45 dias de licença (incluindo férias), ela gerenciava a maternidade bem, ainda que exausta. Amamentava, trocava, acordava em madrugadas, e simultaneamente percebia uma lacuna. Precisava de conversas sobre tópicos profissionais, de executar tarefas que definiram quem ela era, de conviver com pessoas além do círculo familiar. Isso não a tornava má mãe; era apenas honestidade consigo. Foram esses sentimentos que a deixaram receptiva ao próximo convite de trabalho que aparecesse.

Primeira viagem: uma noite no navio

O convite veio logo. A MSC Cruzeiros encerrava a temporada no Brasil com um evento a bordo, convidando jornalistas selecionadas. Uma noite fora. Ela podia indicar uma colega; decidiu ir pessoalmente. Organizou com Rodrigo o cuidado de Henrique, fez a mala e levou algo que não levaria cinco anos antes: uma bomba extratora de leite. A organização prática da maternidade começava ali.

O navio reunia jornalistas que conhecia e apreciava há tempo. Rever pessoas queridas, estar em um aeroporto, a bordo de um navio reacendeu algo dela mesma. Fazia aquilo que sabia fazer bem: reportagem, conversa com fontes, articulação profissional. Sim, estava pronta.

Quanto a Henrique, sentiu saudade, mas breve foi a volta e muita coisa havia para fazer. O bebê deu trabalho para dormir naquela noite. Será que sentiu a ausência? Ou foi apenas uma noite ruim de sono no ciclo normal de um recém-nascido? Pragmática, ela optou por acreditar na segunda hipótese. Não sofreu, e isso foi libertador. Uma decisão consciente de não carregar culpa onde a realidade era simples: bebê bem cuidado, mãe fazendo seu trabalho, todos bem.

Dez dias no Mediterrâneo

O próximo convite era diferente em escala e profundidade. Uma convenção a bordo do MSC Splendida, com embarque em Barcelona, paradas na França, Itália e Malta. Dez dias fora do Brasil. Henrique tinha quatro meses de idade. Alguns destinos ela conhecia; outros a atraíam por serem novos. Uma coincidência operou como sinal: uma amiga jornalista havia feito sua primeira viagem a trabalho quando seu bebê tinha exatamente quatro meses, também à Itália. Se ela conseguiu organizar-se, por que não?

A confirmação mudou toda a lógica. Antes de ser mãe, sua preocupação era calendário: havia conflito de agendas? Ajustava datas. Agora, dezenas de variáveis entravam em jogo. Uma circunstância agravou tudo: na mesma semana de sua viagem, duas executivas da empresa de Rodrigo iriam ao Brasil, e ele seria responsável por recepcioná-las, acompanhando-as de manhã até à noite. Originalmente viriam na semana anterior; adiaram, por pura lei de Murphy, para quando ela estivesse fora. Isso significava que o marido não poderia fazer home office e chegaria tarde, impedindo que fosse a rede principal de suporte para Henrique.

Montando o plano de apoio

Rede de mulheres

Diante do desafio, ela recorreu à sua rede de apoio. Pediu à mãe, avó, irmã e tia se podiam ajudar. Todas concordaram. Montaram uma agenda de revezamento precisa: durante cinco dias e cinco noites, enquanto ela viajava, as três mulheres se alternaram com a babá que cuidava de Henrique. No restante do tempo, apenas Rodrigo ficou com o filho.

Logística de alimentação

Havia porém outra preocupação logística: Henrique recebia alimentação mista, tanto leite materno quanto fórmula. Para garantir o suprimento durante os dez dias, ela passou diversos dias estocando leite em sacos específicos. Foram 30 saquinhos congelados, cuidadosamente preparados e armazenados. A logística funcionou conforme planejado. Cada dia de viagem tinha um suprimento garantido.

Por que a rede foi essencial

A existência dessa rede foi absolutamente essencial. Sem mãe, avó, irmã e tia disponibilizando horas, a viagem teria custado ansiedade ou culpa desnecessária. Com organização, porém, o cálculo era diferente: por que viajar e sofrer? Quantos pais se atormentam ao viajar a trabalho? Ela não se sentiu culpada. Era pragmática também na maternidade: identificava problema, buscava solução concreta.

Desfazendo contas de culpa

Uma frustração a acompanhava: quantas vezes perguntaram com quem ficou seu filho durante seus compromissos de trabalho? Perdia a contagem. Para Rodrigo, a pergunta raramente chegava. Se perguntassem uma vez, seria quase um milagre. Em uma sociedade que pede que as mulheres tenham filhos mas oferece pouco incentivo para que trabalhem, saiam e vivam como um pai vive, a culpa materna é ferramenta de controle tácita.

Mas a realidade era simples: Henrique estava bem cuidado, cercado de pessoas que o amavam. A mãe perseguia aquilo que a realizava profissionalmente. Por que carregar culpa? Não carregou. Sua essência não mudou ao virar mãe, embora claramente tenha evoluído. Descobriu-se capaz de coisas que não imaginava. Talvez por isso, hoje tem ainda mais vontade de fazer sua vida dar impacto.

Uma identidade que continua

Ela quer construir uma vida boa para si e para Henrique, oferecer oportunidades que talvez antes não pudesse, de cuidar de sua própria realização. Principalmente, quer que ele cresça vendo uma mãe feliz e realizada. Não quer que internalize que foi um peso. Quer que ele entenda que passou a fazer parte de sua vida, e que ela não precisou deixar de ser quem é para ser sua mãe. Maternidade e identidade profissional coexistem quando há clareza sobre prioridades, rede de apoio organizada e honestidade sobre o próprio desejo.

Fonte: Pais e Filhos

Perguntas frequentes

Com que idade Henrique tinha quando ela fez a viagem de dez dias ao Mediterrâneo?

Henrique tinha quatro meses de idade quando ela viajou para o Mediterrâneo a bordo do navio MSC Splendida.

Como ela garantiu que o bebê recebesse leite materno durante os dez dias de viagem?

Estocou 30 saquinhos de leite materno congelado durante vários dias antes da viagem, pois Henrique recebia alimentação mista com leite materno e fórmula.

Quem ficou responsável pelo cuidado de Henrique durante a viagem?

Durante cinco dias e cinco noites, sua mãe, avó, irmã e tia se revezaram com a babá que cuidava de Henrique. No restante do tempo, apenas Rodrigo, seu marido, ficou com o filho.

Written by
Camila Ferrari

Camila Ferrari cobre sono do bebê e rotina familiar, com foco em métodos gentis para ajudar recém-nascidos e bebês maiores a dormirem melhor — e os pais também.