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Famílias do Rio podem fazer exame de DNA gratuito para reconhecimento de paternidade: saiba como

Em resumo

  • A iniciativa, desenvolvida em parceria entre a Defensoria Pública e o Club de Regatas Vasco da Gama, representa um passo significativo para famílias que buscam reconhecimento de paternidade sem custos financeiros.
  • A falta do nome do pai na certidão de nascimento cria obstáculos significativos para a criança, afetando sua identidade, acesso a benefícios sociais e direitos hereditários.
  • O mutirão no Rio integra-se a um esforço nacional mais amplo.

A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro oferecerá 200 exames de DNA gratuitos no próximo sábado, 16 de agosto, no Estádio de São Januário, em São Cristóvão, na Zona Norte, como parte da campanha nacional “Meu Pai Tem Nome”. O mutirão funciona das 9h às 15h e visa regularizar registros civis para famílias de baixa renda que enfrentam a ausência paterna na documentação dos filhos.

Uma oportunidade concreta para regularizar filiação

A iniciativa, desenvolvida em parceria entre a Defensoria Pública e o Club de Regatas Vasco da Gama, representa um passo significativo para famílias que buscam reconhecimento de paternidade sem custos financeiros. Os resultados dos exames estarão disponíveis em até 25 dias após a coleta. Candidatos que não conseguirem atendimento no sábado serão agendados para uma data posterior, também gratuitamente.

Para participar do mutirão, as famílias precisam apresentar documentação simples: identidade (RG ou CNH), CPF e a certidão de nascimento da criança, todos em original e cópia. A coleta do material genético é realizada pela própria coordenação da Defensoria, sem necessidade de compra de kits privados ou intermediários. Este acesso direto reduz barreiras logísticas e financeiras que historicamente afastaram famílias de baixa renda dos serviços de investigação de paternidade.

O impacto emocional e legal da ausência paterna nos registros

A falta do nome do pai na certidão de nascimento cria obstáculos significativos para a criança, afetando sua identidade, acesso a benefícios sociais e direitos hereditários. Somente em 2024, a Defensoria Pública do Ceará atendeu mais de 7 mil casos de pais ausentes, ilustrando a dimensão nacional do problema. A campanha “Meu Pai Tem Nome” aborda diretamente essa lacuna emocional e legal, oferecendo um caminho acessível e gratuito para o reconhecimento.

É importante esclarecer que muitas mães deixam de registrar os filhos por medo da ausência paterna permanente. Contudo, a lei permite que qualquer pessoa regularize sua filiação a qualquer momento, independentemente da idade—desde recém-nascidos até idosos. O direito ao reconhecimento não prescreve, ou seja, não expira com o tempo, oferecendo esperança às famílias que enfrentam essa situação.

Dois caminhos: administrativo ou judicial

A Defensora Adriana Peres, coordenadora do Núcleo de DNA do Espírito Santo, explica que o exame de DNA pode ser realizado de duas formas: administrativamente, quando ambas as partes comparecem voluntariamente à Defensoria Pública, ou como prova em processo judicial de investigação ou reconhecimento de paternidade. Essa distinção importa para as famílias porque determina a velocidade e complexidade do processo.

Quando o pai está disposto a cooperar, o processo é mais rápido e evita a judicialização. Já quando há recusa, a mãe pode propor ação judicial na qual a negativa em fazer o exame de DNA pode ser interpretada como presunção de paternidade, especialmente quando combinada com outras evidências como testemunhas, fotografias e mensagens de WhatsApp. Esta flexibilidade legal reconhece as realidades variadas das famílias brasileiras.

Uma trajetória de 30 anos em busca de certeza científica

A Defensoria Pública do Rio de Janeiro foi pioneira na implementação do Programa de DNA desde 1996, oferecendo testes tanto in vivo (em pessoas vivas) quanto post mortem (de falecidos) para investigação de paternidade, Maternidade e verificação de linhagem genética. Essa trajetória marca uma transformação profunda: historicamente, a paternidade era comprovada por testemunhas ou semelhança física, métodos sujeitos a imprecisões e disputas.

A adoção da tecnologia de DNA representou um salto para a certeza científica, garantindo direitos de cidadania com base em informações de origem biológica. O programa evoluiu para incluir reconhecimento voluntário, investigação judicial e, mais recentemente, a possibilidade de testes com parentes do suposto pai em casos de falecimento ou desaparecimento.

O que acompanhar nos próximos passos

O mutirão no Rio integra-se a um esforço nacional mais amplo. A Defensoria do Amazonas também lançou a campanha “Meu Pai Tem Nome” em Manaus com 200 vagas gratuitas a partir de 1º de agosto, com agendamentos disponíveis via WhatsApp (92) 98159-1599. Essa expansão regional demonstra que a demanda por reconhecimento de paternidade é um desafio coordenado entre estados, refletindo a necessidade estrutural de acesso à justiça para famílias vulneráveis.

Além disso, uma mudança legal recente permite que exames de DNA sejam realizados em parentes do suposto pai quando este é falecido ou está desaparecido, priorizando os parentes mais próximos. Se um parente se recusa a fazer o exame, essa recusa também pode gerar presunção de paternidade judicialmente reconhecida. Essas inovações legais expandem as possibilidades de reconhecimento mesmo em circunstâncias complexas.

Para mães e filhos que enfrentam a ausência paterna nos registros civis, o mutirão de 16 de agosto no Rio representa mais do que um procedimento administrativo—marca a oportunidade concreta de restituir identidade, direitos e dignidade. Com documentação simples, resultados em até 25 dias e expansão para outros estados, a campanha “Meu Pai Tem Nome” reafirma o compromisso público com famílias que historicamente foram deixadas à margem dos serviços de justiça.

Written by
Camila Ferrari

Camila Ferrari cobre sono do bebê e rotina familiar, com foco em métodos gentis para ajudar recém-nascidos e bebês maiores a dormirem melhor — e os pais também.