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Bullying na adolescência: 4 em cada 10 jovens brasileiros já foram vítimas, revela IBGE

Em resumo

  • As meninas são significativamente mais afetadas pelo bullying escolar do que os meninos no Brasil.
  • Além das agressões verbais e humilhação, a violência física continua sendo uma preocupação central nas escolas brasileiras.
  • A pesquisa do IBGE também desvela motivações profundas por trás do bullying, revelando que 12,1% dos casos são impulsionados por preconceito relacionado à identidade de gênero ou orientação sexual.
  • A pesquisa revela que o problema não está apenas nos que sofrem assédio, mas também naqueles que o praticam.

Quase 4 em cada 10 adolescentes brasileiros já sofreram bullying na escola, de acordo com a 5ª edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) realizada pelo IBGE em 2024. O levantamento, que entrevistou estudantes de 13 a 17 anos em escolas públicas e privadas de todo o país, aponta que 39,8% dessa população vivenciou alguma forma de assédio moral ou agressão por parte de colegas. Os dados revelam um cenário preocupante durante uma fase crítica do desenvolvimento social e emocional dos jovens.

Meninas sofrem bullying em proporção maior que meninos

As meninas são significativamente mais afetadas pelo bullying escolar do que os meninos no Brasil. Enquanto 43,3% das adolescentes já sofreram bullying, o índice entre os rapazes fica em 37,3%, uma diferença de 6 pontos percentuais que evidencia uma vulnerabilidade desproporcional das meninas. Essa disparidade de gênero intensifica-se quando se analisa casos de humilhação repetida, que atinge 27,2% dos adolescentes no geral, mas chega a 30,1% entre as meninas.

A natureza dos ataques sofridos pelas adolescentes também reflete padrões de agressão específicos. Comentários sobre aparência facial ou cabelo atingem 30,2% dos casos de bullying, enquanto críticas sobre o corpo chegam a 24,7%. Essas agressões baseadas na aparência física impactam profundamente a autoestima e a imagem corporal durante um período em que adolescentes já enfrentam pressões sociais intensas relacionadas aos padrões de beleza.

Agressões físicas e cyberbullying complementam o quadro de violência escolar

Além das agressões verbais e humilhação, a violência física continua sendo uma preocupação central nas escolas brasileiras. Dados do IBGE mostram que 16,6% das meninas e 18,6% dos meninos já sofreram agressão física de colegas durante o período escolar. Essa combinação de violência psicológica e física cria um ambiente hostil que compromete o desempenho acadêmico e o bem-estar mental dos adolescentes.

O ambiente digital amplifica ainda mais as possibilidades de assédio entre jovens. O cyberbullying atinge 12,7% dos estudantes através de redes sociais e aplicativos de mensagem, com meninas novamente sofrendo proporcionalmente mais: 15,2% delas relatam ter enfrentado humilhação ou ameaças online. Essa modalidade de agressão não respeita os limites da escola, perseguindo as vítimas para dentro de suas casas e criando uma sensação de vulnerabilidade permanente.

Preconceito contra identidade de gênero e deficiência motiva parcela significativa dos ataques

A pesquisa do IBGE também desvela motivações profundas por trás do bullying, revelando que 12,1% dos casos são impulsionados por preconceito relacionado à identidade de gênero ou orientação sexual. Adolescentes que não se conformam aos padrões de gênero esperados pela sociedade enfrentam agressões específicas que afetam sua aceitação social e segurança nas escolas. Simultaneamente, 7,6% do bullying tem como alvo estudantes com deficiências, indicando que a inclusão ainda é um desafio significativo nas instituições educacionais brasileiras.

Esses dados revelam que o bullying não é apenas uma questão de conflitos entre pares, mas está profundamente entrelaçado com preconceitos estruturais. A falta de empatia e respeito pela diversidade, quando não abordadas adequadamente em casa e na escola, perpetua ciclos de discriminação que afetam grupos vulneráveis de adolescentes. Pais e educadores enfrentam o desafio de promover uma cultura de inclusão que reconheça e valorize as diferenças.

Adolescentes também são agressores: 13,7% praticam bullying

A pesquisa revela que o problema não está apenas nos que sofrem assédio, mas também naqueles que o praticam. Nos 30 dias anteriores à pesquisa, 13,7% dos adolescentes admitiram ter participado de atos de bullying contra colegas. Esse dado indica que uma parcela expressiva de jovens está envolvida na perpetuação de violência escolar, seja como agressores ocasionais ou habituais.

A presença significativa de agressores entre adolescentes aponta para a necessidade de intervenções que abordem as causas raiz do comportamento agressivo. Fatores como falta de habilidades sociais, problemas emocionais não resolvidos, exposição à violência em casa ou nas redes sociais, e ausência de consequências claras para comportamentos agressivos contribuem para que adolescentes se tornem bullies. Pais e escolas precisam trabalhar conjuntamente para identificar e apoiar esses jovens, transformando comportamentos destrutivos em interações construtivas.

Aumento de casos desde 2019 preocupa especialistas

Comparando dados da PeNSE 2024 com a edição anterior de 2019, o IBGE registrou um aumento de 0,7% na prevalência geral de bullying entre adolescentes. Mais alarmante ainda, os casos de humilhação repetida subiram mais de 4% no mesmo período, sugerindo que não apenas mais adolescentes estão sendo afetados, mas que a intensidade e a recorrência das agressões também cresceram. Essa tendência ascendente indica que as estratégias de prevenção atualmente em vigor nas escolas podem estar sendo insuficientes.

O crescimento observado reflete um cenário complexo no qual novos canais de agressão, como plataformas digitais, combinam-se com formas tradicionais de bullying para criar um ambiente ainda mais hostil para adolescentes. O fato de que a humilhação repetida cresceu em proporção maior que o bullying geral sugere que vítimas estão enfrentando agressões mais persistentes e traumáticas, impactando ainda mais sua saúde mental e desenvolvimento.

Disparidades regionais destacam necessidade de ações localizadas

Os números nacionais mascaram diferenças importantes entre regiões do país. No estado do Maranhão, por exemplo, 4 em cada 10 adolescentes relatam experiências de bullying, alinhado à média nacional, mas com particularidades preocupantes: 16,8% enfrentam ameaças cibernéticas, com meninas novamente sendo desproporcionalmente afetadas. Essas variações regionais sugerem que fatores socioeconômicos, culturais e educacionais locais influenciam a prevalência e a natureza do bullying.

Pais em regiões com índices mais altos de bullying devem estar especialmente atentos aos sinais de que seus filhos possam estar envolvidos como vítimas ou agressores. Estratégias de prevenção precisam ser adaptadas ao contexto local, considerando as realidades específicas de cada comunidade escolar e as vulnerabilidades particulares de cada população de adolescentes.

O papel essencial da colaboração entre família e escola

Especialistas em desenvolvimento infantil e prevenção de violência escolar convergem em uma recomendação: a melhor defesa contra o bullying é a colaboração ativa entre famílias e escolas. Diálogo frequente, monitoramento atento do comportamento e bem-estar dos adolescentes, e suporte emocional consistente formam a base de uma estratégia eficaz. Quando pais conhecem as realidades sociais de seus filhos e mantêm comunicação aberta com educadores, conseguem identificar problemas mais cedo e intervir antes que agressões se intensifiquem.

A pesquisa do IBGE de 2024 deixa claro que bullying é uma realidade presente na vida de milhões de adolescentes brasileiros, afetando seu desenvolvimento social, emocional e acadêmico. Com dados mostrando aumentos desde 2019 e disparidades de gênero significativas, a urgência por ação coordenada entre famílias, escolas e comunidades é inegável. Cada adolescente merece um ambiente seguro onde possa desenvolver-se plenamente, e esse objetivo só será alcançado através de compromisso coletivo e estratégias adaptadas às realidades locais.

Written by
Mariana Castilho

Mariana Castilho é jornalista especializada em maternidade e primeira infância, com foco em gravidez, parto e os primeiros meses com o bebê. Escreve para ajudar mães de primeira viagem a se sentirem mais seguras em cada etapa.