Em resumo
- FDA autorizou o primeiro genérico de lenacapavir em 2 de novembro de 2026, reduzindo o custo de prevenção de HIV de US$ 28,2 mil para US$ 40 anuais.
- O medicamento é injetável e aplicado duas vezes ao ano, diferente de outras PrEPs que exigem uso diário de comprimidos.
- Estudos clínicos comprovaram eficácia acima de 99%, com zero infecções em um grupo de 2.138 participantes.
- Brasil ainda não está na lista inicial, mas negociação com Opas e Gilead abriu possibilidade de acesso por compras conjuntas na América Latina.
A FDA (Agência de Alimentos e Medicamentos dos EUA) concedeu em 2 de novembro de 2026 uma autorização preliminar ao primeiro genérico de lenacapavir, medicamento injetável que obteve taxa de eficácia superior a 99% em estudos clínicos. A droga foi desenvolvida pela farmacêutica indiana Dr. Reddy’s Laboratories como alternativa de prevenção do HIV em pessoas que não vivem com o vírus, mas correm risco de exposição.
A aprovação marca um ponto de inflexão no acesso à prevenção. O medicamento original, comercializado nos EUA como Yeztugo, custa aproximadamente US$ 28,2 mil anuais. O genérico será oferecido por US$ 40 por ano — uma redução de cerca de 99,86%. Embora a autorização ainda seja preliminar e não permita comercialização imediata nos EUA, ela sinaliza uma mudança para países de baixa e média renda.
O que é lenacapavir e como funciona
Lenacapavir é um medicamento antirretroviral usado como profilaxia pré-exposição, ou PrEP, estratégia de prevenção destinada a pessoas sem infecção pelo HIV que têm risco de adquirir o vírus. Diferente de outras formas de PrEP disponíveis, que exigem uso diário de comprimidos, o lenacapavir é administrado por injeção duas vezes ao ano, com intervalo de seis meses entre as doses.
A frequência como diferencial
Essa característica de aplicação semestral pode favorecer a continuidade da prevenção, especialmente para pessoas que enfrentam dificuldades em manter uma rotina diária de medicação. O esquema reduz a demanda de adesão contínua e simplifica o acesso em regiões com capacidade limitada de acompanhamento.
Contexto das estratégias de prevenção
Existem outras opções de PrEP no mercado, mas variam em frequência e formato. Enquanto comprimidos devem ser tomados diariamente, o lenacapavir exige apenas duas injeções anuais. Essa diferença pode determinar a efetividade da prevenção em populações onde a falta de rotina estruturada é uma barreira.
Eficácia comprovada em ensaios clínicos
A autorização da FDA foi baseada nos resultados dos estudos clínicos PURPOSE 1 e PURPOSE 2, que testaram a eficácia do lenacapavir em populações de risco para HIV.
PURPOSE 1: resultado perfeito
No primeiro estudo, 2.138 participantes receberam o medicamento. Nenhuma delas contraiu HIV, demonstrando uma proteção absoluta na população acompanhada durante o período de avaliação.
PURPOSE 2: eficácia mantida
No segundo estudo, 2.179 pessoas utilizaram a medicação. Foram registradas apenas duas infecções, resultando em uma taxa de proteção que permanece acima de 99%, mesmo em um grupo maior de participantes.
Lenacapavir não cura o HIV; seu papel é preventivo, reduzindo em até 99% o risco de infecção antes de uma possível exposição ao vírus. Pessoas já infectadas não devem contar com o medicamento como tratamento único, ainda que ele integre alguns esquemas terapêuticos.
O caminho para acesso global e desafios no Brasil
O preço reduzido amplia o acesso à prevenção em países de renda baixa e média, mas nem todos receberão o medicamento imediatamente. A versão genérica será oferecida por US$ 40 anuais por meio de um acordo de fornecimento que inicialmente contempla 120 nações.
Brasil não estava na lista inicial
O Brasil recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o lenacapavir em janeiro de 2026, qualificando-o como opção de prevenção. No entanto, o país não foi incluído inicialmente na lista de 120 nações com acesso ao genérico pelo preço de US$ 40 anuais.
Negociação recente abre novo caminho
Em setembro de 2026, uma negociação entre a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a fabricante Gilead abriu a possibilidade de aquisição do medicamento pelo Brasil e outros 13 países latino-americanos por meio de compras internacionais conjuntas. O valor que será praticado no mercado brasileiro ainda não foi divulgado, deixando em aberto se o preço se aproximará do padrão global.
Incorporação ao SUS: passos necessários
Para que o lenacapavir seja disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), serão necessárias duas etapas administrativas. A primeira é uma avaliação pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que analisa eficácia, custo-benefício e impacto orçamentário de novas tecnologias. A segunda é uma decisão formal do Ministério da Saúde, que autoriza ou nega a incorporação ao sistema.
Essas etapas não são mera formalidade. A Conitec leva em consideração não apenas dados clínicos, mas também a capacidade do SUS de incorporar o medicamento sem prejudicar outras prioridades de saúde. A aprovação preliminar da FDA poderá facilitar essa avaliação, uma vez que demonstra segurança regulatória aprovada por agência de grande credibilidade internacional.
Cronograma de distribuição
Segundo as organizações envolvidas no acordo, as primeiras remessas da versão genérica poderão chegar a alguns dos países contemplados ainda em 2026. Uma distribuição mais ampla está prevista para 2027, quando se espera que mais nações consigam acessar o medicamento em quantidade significativa.
O desafio agora é garantir que a redução de preço se traduza em acesso real e efetivo. Isso dependerá de financiamento adequado em cada país, capacidade de produção da farmacêutica indiana, aprovação regulatória formal em cada jurisdição e criação de estruturas de distribuição que cheguem até as pessoas que mais precisam da prevenção.
Fonte: Pais e Filhos
Perguntas frequentes
O que é lenacapavir e para quem é indicado?
Lenacapavir é um medicamento injetável que funciona como profilaxia pré-exposição (PrEP), prevenindo o HIV em pessoas que não vivem com o vírus mas correm risco de exposição. É aplicado duas vezes ao ano.
Qual é a eficácia do medicamento?
Estudos clínicos PURPOSE 1 e PURPOSE 2 comprovaram eficácia superior a 99%. No primeiro, nenhuma das 2.138 participantes contraiu HIV. No segundo, foram apenas 2 infecções entre 2.179 pessoas.
Como ficará o acesso ao medicamento no Brasil?
O Brasil foi aprovado pela Anvisa em janeiro de 2026, mas não estava na lista inicial de 120 países com acesso ao genérico. Em setembro, negociação entre Opas e Gilead abriu possibilidade de aquisição via compras internacionais conjuntas para Brasil e outros 13 países latino-americanos. Para estar no SUS, será necessária avaliação da Conitec e decisão do Ministério da Saúde.