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Doenças comuns da infância: sinais de alerta e quando procurar médico

Em resumo

  • Febre, resfriado e diarreia viral passam sozinhas em dias; o foco é conforto e hidratação, não eliminar a febre a qualquer custo.
  • Manchas roxas não desaparecem com pressão, rigidez de nuca, respiração acelerada ou apatia extrema exigem emergência — não espere.
  • Varicela e sarampo têm vacinação disponível no calendário do SUS e previnem doença grave; se suspeitar sarampo, notifique o pediatra.

Toda criança passa por episódios de febre, tosse e outros sintomas que deixam os pais em dúvida: é normal ou preciso chamar o médico agora? Conhecer as doenças mais comuns da infância e seus sinais de alerta é fundamental para cuidar bem e evitar pânico desnecessário. Este guia apresenta as enfermidades que pediatras veem rotineiramente, explicando quando é possível manejar em casa e quando é imprescindível procurar ajuda profissional.

Febre em Crianças

A febre é o sintoma mais frequente na infância. Não é uma doença, mas uma resposta do corpo ao combater infecções. Para crianças menores de 2 anos, febre é considerada temperatura acima de 38°C; acima dessa idade, acima de 37,5°C é considerado febril.

Como avaliar e cuidar

A maioria das febres em crianças hígidas (sem doenças crônicas) é viral e passa sozinha em 3 a 5 dias. O importante é manter a criança confortável: roupas leves, hidratação constante com água ou suco, banhos mornos se a temperatura ficar muito alta. O uso de antitérmicos como paracetamol ou ibuprofeno segue posologia por peso: paracetamol de 10 a 15 mg/kg a cada 4 a 6 horas, ibuprofeno de 5 a 10 mg/kg a cada 6 a 8 horas. Nunca ultrapasse 4 doses ao dia de paracetamol nem 3 doses diárias de ibuprofeno.

Sinais de alerta

Procure o médico urgentemente se: a criança tem menos de 3 meses e febre acima de 38°C; febre acima de 39,5°C que não cede com antitérmicos; febre acompanhada de dificuldade para respirar, rigidez de nuca, manchas roxas no corpo, prostração extrema ou convulsão; febre que persiste por mais de 5 dias sem causa aparente; ou se a criança recusa alimento e líquido durante 24 horas.

Resfriado e Tosse

Crianças pequenas pegam resfriado de 6 a 12 vezes por ano — é completamente normal. A maioria é causada por vírus e desaparece em 5 a 10 dias sem deixar sequelas.

Manifestações típicas

Nariz entupido, espirros, coriza clara ou levemente amarelada, tosse seca ou produtiva, espirro. Muitas crianças desenvolvem febre baixa (até 38,5°C) junto. A tosse geralmente piora à noite e pode acordar a criança, causando ansiedade nos pais. Xaropes expectorantes (com guaifenesin) e umidificadores ajudam, mas não são essenciais — dormir com um travesseiro extra elevando a cabeça também alivia a congestão.

Quando procurar pediatra

Busque avaliação se: a tosse persiste por mais de 2 semanas, a criança tem chiado ao respirar ou falta de ar, há presença de sangue no catarro, febre alta acompanhada de tosse, ou se a criança é menor de 3 meses. Tosse noturna isolada em criança ativa e sem febre durante o dia é frequente e raramente grave.

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Gastroenterite e Diarreia

Inflamação do estômago e intestino causa diarreia, náuseas e vômito. Viroses como rotavírus (mesmo em vacinados, a gravidade é menor) e norovírus são as causas mais comuns.

Reconhecendo desidratação

O maior risco é a desidratação. Sinais leves: boca seca, lágrimas reduzidas, menos xixi. Sinais moderados: apatia, olhos fundos, fontanela deprimida em menores de 18 meses. Sinais graves: criança muito prostrada, extremidades frias. Na desidratação leve, ofereça soro caseiro (1 litro de água filtrada + 1 colher de café de sal + 8 de açúcar) em pequenos volumes frequentes, ou soro fisiológico 0,9%. Alimentos sólidos podem ser reintroduzidos assim que a criança aceitar: banana, maçã, arroz, batata.

Sinais que exigem médico

Procure avaliação se: diarreia com sangue ou muco abundante, vômitos constantes que impedem a ingestão de qualquer líquido, diarreia com febre acima de 38,5°C persistente, sinais de desidratação moderada ou grave, barriguinha muito inchada ou dolorosa, ou se a criança tem menos de 6 meses. Gastroenterite viral passa em 3 a 8 dias; se persistir além de 2 semanas, pode ser bacteriana.

Varicela (Catapora)

Doença viral altamente contagiosa, manifesta-se com febre moderada seguida de erupção característica: pequenas bolhas avermelhadas que coçam intensamente. O vírus varicela-zóster causa a infecção primária (varicela) e pode reativar décadas depois como herpes-zóster.

As lesões aparecem em ondas durante 3 a 5 dias: começam avermelhadas, viram bolhas claras, depois se tornam pústulas e finalmente casquinhas. A criança fica infectante 5 dias após o surgimento das últimas lesões. O alívio passa por banhos mornos com aveia coloidal, pijamas de algodão, unhas cortadas para evitar infecção por coçar, e antitérmicos para febre. Não use ácido acetilsalicílico (AAS) em varicela — aumenta risco de síndrome de Reye.

Complicações graves como encefalite, pneumonia viral ou infecções bacterianas secundárias por coçar são raras em crianças imunocompetentes. Procure médico se: febre muito alta (acima de 39,5°C) persistente, lesões muito inchadas ou com sinais de infecção (vermelhidão crescente, pus), dificuldade para respirar, rigidez de nuca, ou confusão mental.

Sarampo

Doença viral grave, altamente contagiosa e prevenível por vacina. Começa com febre, coriza, tosse e manchinhas brancas dentro da boca (manchas de Koplik), seguidas de erupção de máculas avermelhadas no rosto que descem para o corpo. Incubação é de 10 a 21 dias.

Sarampo é notificação obrigatória ao Ministério da Saúde — se você suspeitar, avise o pediatra. A doença exige isolamento (infectante 4 dias antes a 4 dias após surgimento das lesões). Complicações incluem otite, pneumonia, encefalite e morte em menores de 5 anos não vacinados. Vacinação em dia (duas doses da tríplice viral ou tetra viral conforme calendário) é a proteção.

Doença Boca-Pé-Mão

Causada principalmente pelo enterovírus (coxsackie A16 ou EV71), é frequente em menores de 5 anos. Apresenta aftas dolorosas na boca, erupção de vesículas nas palmas e solas dos pés, às vezes nas nádegas. Febre leve acompanha o quadro.

Não existe tratamento específico. Oferça alimentos mornos e moles (iogurte, sopa, purê), evite alimentos ácidos ou muito quentes. Analgésicos ajudam com a dor nas aftas. A maioria das crianças se recupera em 7 a 10 dias. Procure médico se houver sinais neurológicos (falta de coordenação, tremores), febre muito alta ou recusa total de alimento e líquido.

Quando Procurar a Emergência Imediatamente

Não espere por consulta de rotina se a criança apresentar: febre acompanhada de manchas roxas que não desaparecem ao apertar a pele, dificuldade evidente para respirar ou respiração muito rápida (taquipneia), rigidez de nuca ou dor ao tentar aproximar queixo do peito, sonolência ou confusão mental, convulsão, lábios ou língua inchados, vômitos bilosos (esverdeados), abdômen muito distendido e duro, ou prostração completa. Estes são sinais de infecções potencialmente graves como meningite, sepse ou outras emergências.

Manter a calma é essencial. A maioria das doenças da infância é autolimitada, mas conhecer os sinais de alerta permite agir rápido quando necessário. Confie na intuição — se algo parecer muito errado, procure médico. Pediatras preferem avaliar uma criança saudável por excesso de cautela do que perder o diagnóstico de algo grave.

Perguntas frequentes

Com quanto tempo de febre devo procurar o médico?

Febre em si não é emergência. Procure se a criança tem menos de 3 meses e febre acima de 38°C, febre acima de 39,5°C que não cede com antitérmicos, ou se persiste por mais de 5 dias sem diagnóstico. Se a criança está ativa, comendo e bebendo, febre por 1 a 3 dias é normal durante infecções virais.

Qual a diferença entre varicela e catapora?

Não há diferença — varicela é o nome médico, catapora é o nome popular. É a mesma doença causada pelo vírus varicela-zóster. Causa febre seguida de bolhas que coçam muito. Vacinação (tríplice viral ou tetra viral) previne ou reduz muito a gravidade.

Como sei se minha criança está desidratada?

Sinais de desidratação leve: boca seca, lágrimas reduzidas quando chora, menos xixi que de costume. Sinais moderados: olhos fundos, apatia, fontanela deprimida em bebês. Ofereça soro caseiro ou fisiológico em pequenos volumes frequentes. Se a criança não conseguir beber nada ou estiver muito prostrada, procure emergência.

Written by
Mariana Castilho

Mariana Castilho é jornalista especializada em maternidade e primeira infância, com foco em gravidez, parto e os primeiros meses com o bebê. Escreve para ajudar mães de primeira viagem a se sentirem mais seguras em cada etapa.