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Bebê de 15 meses com doença rara que causa paralisia na alegria

Em resumo

  • Rupert Smith, de 15 meses, recebeu diagnóstico de hemiplegia alternante da infância, doença neurológica rara que afeta aproximadamente uma em cada um milhão de pessoas.
  • Os episódios de paralisia podem ser desencadeados por fome, cansaço, calor, frio, água e, principalmente, pela empolgação e alegria, exigindo vigilância constante dos pais.
  • Não existe cura para a condição; o tratamento é voltado ao controle de sintomas, e a família está buscando acesso a terapias experimentais nos Estados Unidos.

Rupert Smith tem 15 meses e vive no País de Gales com uma condição que transforma até os momentos mais simples da infância em situações de potencial risco. Uma brincadeira, o sorriso de alguém querido ou a mera empolgação ao descobrir algo novo podem desencadear episódios de paralisia que afetam seus movimentos. Seu diagnóstico, recebido em janeiro de 2026 quando tinha sete meses, identificou a hemiplegia alternante da infância, uma doença neurológica que afeta aproximadamente uma em cada um milhão de pessoas.

Os pais de Rupert, Dave e Siobhan Smith, precisam estar atentos constantemente. A doença pode causar não apenas paralisia temporária, mas também convulsões e dificuldades respiratórias, transformando essas complicações em riscos potenciais mesmo durante atividades do dia a dia.

Os Primeiros Sinais

Rupert começou a apresentar sintomas ainda nas primeiras semanas de vida. Seus pais notaram movimentos involuntários nos olhos, uma alteração que os levou a procurar atendimento médico.

Desafios diagnósticos iniciais

Os médicos sugeriram inicialmente que a alteração poderia estar relacionada à idade do bebê. Conforme o tempo passava, novos sintomas surgiram. Rupert desenvolveu espasmos e episódios de rigidez intensa pelo corpo. Mesmo após novas avaliações médicas, a família continuava sem explicação para o que estava acontecendo, esperando pela resposta que finalmente viria mais de um ano depois.

A emergência hospitalar

A situação ficou crítica em novembro de 2025, quando Rupert foi levado ao hospital após um engasgo. Enquanto os pais se preparavam para deixar a unidade, o menino ficou arroxeado e parou de respirar, necessitando ser reanimado pela equipe médica. Durante essa internação, os médicos realizaram um sequenciamento completo do genoma, exame que analisa o material genético em busca de alterações capazes de explicar doenças genéticas.

Confirmação e compreensão

O diagnóstico de hemiplegia alternante da infância veio dois meses depois, quando Rupert completava sete meses. Com a resposta finalmente em mãos, Dave e Siobhan puderam começar a compreender a condição que afetaria profundamente a rotina familiar e as escolhas que precisariam fazer a partir daquele momento.

Entendendo a Doença

Segundo a Associação Brasileira de Doenças Raras (ABDR), a hemiplegia alternante da infância é uma condição neurológica que costuma apresentar os primeiros sintomas antes dos 18 meses de idade. A doença provoca paralisia temporária que pode afetar um lado do corpo ou ambos, sem padrão previsível.

Os sintomas incluem movimentos involuntários dos olhos, contrações musculares involuntárias e episódios convulsivos. Alguns pacientes, como Rupert, também apresentam dificuldades para se movimentar, engolir ou respirar adequadamente, complicações que requerem acompanhamento médico contínuo.

O fator genético

Cerca de 80% dos pacientes com essa condição apresentam alterações no gene ATP1A3, responsável pelo funcionamento adequado das células nervosas. Rupert está entre esses casos. A variabilidade genética explica por que os sintomas diferem significativamente de um paciente para outro, tornando cada caso único em suas manifestações e desafios.

Os Gatilhos do Dia a Dia

Situações cotidianas que para outras crianças são eventos normais podem desencadear crises em Rupert. A família identificou vários gatilhos: fome, cansaço, calor, frio e contato com água estão entre os possíveis desencadeadores. No caso específico do menino, a empolgação é o principal gatilho, o que torna particularmente desafiador permitir que ele vivencie alegria sem risco.

Isso significa que Dave e Siobhan precisam gerenciar cuidadosamente até os momentos de felicidade de seu filho. Sempre que saem com Rupert, levam oxigênio portátil e medicação de emergência, uma precaução necessária já que as crises podem começar de forma repentina. A vigilância constante se estende até atividades simples como brincadeiras ou encontros com familiares.

O Desenvolvimento e o Caminho do Tratamento

Aos 15 meses, Rupert ainda não engatinha nem anda, apresentando atraso significativo no desenvolvimento motor. Ele participa de sessões regulares de fisioterapia na esperança de desenvolver habilidades de movimento progressivamente, apesar das limitações impostas pela condição.

Não existe atualmente uma terapia específica capaz de curar a hemiplegia alternante da infância. O acompanhamento médico é direcionado ao controle dos sintomas e ao atendimento das necessidades específicas de cada paciente. A família de Rupert está buscando acesso a terapias experimentais disponíveis nos Estados Unidos, enquanto o menino continua recebendo acompanhamento médico contínuo no País de Gales.

A Vida com a Doença Rara

Para Dave e Siobhan, a vida com Rupert exige vigilância constante, inclusive nos momentos que para outras famílias seriam simplesmente parte das descobertas e brincadeiras naturais da primeira infância. Qualquer situação que possa gerar entusiasmo no menino requer cuidados extras.

A jornada de Rupert e sua família ilustra os desafios enfrentados ao se criar uma criança com doença rara e neurológica. Cada dia traz a necessidade de equilibrar a proteção da saúde do menino com a oportunidade de que ele vivencie alegria, descoberta e desenvolvimento natural.

Fonte: Pais e Filhos

Perguntas frequentes

O que é hemiplegia alternante da infância?

É uma condição neurológica rara que causa paralisia temporária de um ou ambos os lados do corpo, movimentos involuntários dos olhos, contrações musculares e convulsões, podendo também provocar dificuldades para se movimentar, engolir ou respirar, com primeiros sintomas geralmente antes dos 18 meses de idade.

Quais são os gatilhos das crises de Rupert?

Entre os possíveis gatilhos estão fome, cansaço, calor, frio e contato com água, mas a empolgação é o principal desencadeador dos episódios que Rupert experimenta.

Existe cura para a hemiplegia alternante da infância?

Não existe terapia específica capaz de curar a condição; o acompanhamento médico é direcionado ao controle de sintomas e às necessidades específicas de cada paciente, enquanto a família de Rupert busca acesso a terapias experimentais nos Estados Unidos.

Written by
Renata Vidigal

Renata Vidigal cobre saúde do bebê — vacinação, consultas pediátricas de rotina e sinais de alerta que toda mãe deve conhecer, sempre reforçando a importância do acompanhamento médico profissional.